Para ensinar frações equivalentes, o caminho mais seguro é fazer o aluno comparar representações do mesmo inteiro antes de apresentar a regra de multiplicar ou dividir numerador e denominador pelo mesmo número. Tiras de papel, dobraduras e uma reta numérica ajudam a responder à pergunta central: como duas escritas diferentes podem representar a mesma quantidade?
Esta sequência foi pensada para o 5º ano do Ensino Fundamental e pode ocupar duas aulas de aproximadamente 50 minutos. Ela se relaciona à habilidade EF05MA04 da BNCC, que propõe identificar frações equivalentes. O foco não é fazer o estudante decorar pares como 1/2 = 2/4, mas explicar por que a igualdade faz sentido, registrar o raciocínio e transferir a ideia para problemas.

Exemplo de tiras divididas em partes iguais. Fonte: Florida Center for Instructional Technology, University of South Florida, 2009.
O que são frações equivalentes
Frações equivalentes são escritas diferentes que indicam a mesma quantidade. Um meio, dois quartos e quatro oitavos representam a mesma parte de um inteiro quando as divisões são feitas de modo proporcional. A equivalência não depende apenas de calcular: ela precisa conservar o mesmo todo e a mesma medida representada.
Esse cuidado evita um erro comum. Se uma pizza grande e uma pizza pequena forem divididas em partes diferentes, dizer que “uma parte” é igual nos dois casos não basta. A comparação só é válida quando o inteiro de referência está claro e as partes são iguais dentro de cada representação. Por isso, a primeira decisão didática é trabalhar com tiras do mesmo comprimento.
Objetivos de aprendizagem
Ao final da sequência, o estudante deverá conseguir identificar representações equivalentes de uma mesma fração; justificar uma igualdade usando um modelo, desenho ou reta numérica; produzir pelo menos uma nova fração equivalente; e perceber que a regra numérica é uma forma abreviada de uma relação que já pode ser observada.
O professor também pode observar processos: o aluno conserva o mesmo inteiro? Divide a tira em partes de mesmo tamanho? Usa a linguagem “duas partes de quatro” com precisão? Consegue explicar a resposta para um colega? Essas evidências são mais úteis do que verificar apenas se o par de frações foi copiado corretamente.
Aula 1: construir e comparar tiras
1. Comece com uma pergunta de comparação
Entregue a cada dupla duas tiras de papel do mesmo tamanho. Peça que uma seja dobrada ao meio e a outra em quatro partes iguais. Solicite que os estudantes marquem ou pintem uma metade na primeira tira e duas partes na segunda. Antes de nomear a equivalência, pergunte: “As áreas pintadas têm o mesmo tamanho? Como vocês podem provar?”.
Dê tempo para sobrepor as tiras, alinhar as extremidades e comparar as regiões. A sobreposição funciona como uma evidência visual: duas partes de uma tira dividida em quatro ocupam o mesmo comprimento que uma parte de uma tira dividida em duas. Registre no quadro as diferentes justificativas, mesmo quando a linguagem ainda estiver incompleta.
2. Varie o denominador sem mudar o inteiro
Distribua novas tiras, sempre com o mesmo comprimento, e proponha pares como 1/3 e 2/6; 2/3 e 4/6; 3/4 e 6/8. Não é necessário usar todos os exemplos na mesma aula. O importante é escolher situações em que o aluno precise alinhar ou decompor as partes, e não apenas reconhecer um padrão visual pronto.
Uma tabela simples ajuda a organizar o registro:
| Fração inicial | Nova divisão do mesmo inteiro | Partes que representam a mesma quantidade | Justificativa |
|---|---|---|---|
| 1/2 | 4 partes | 2/4 | cada metade foi dividida em duas partes iguais |
| 1/3 | 6 partes | 2/6 | cada terça parte foi dividida em duas partes iguais |
A última coluna impede que a atividade vire apenas preenchimento. Se o aluno escrever 1/2 = 3/4, deve ser convidado a testar a afirmação com as tiras e explicar o que encontrou. O erro se transforma em comparação entre áreas, comprimentos e divisões.
3. Faça a passagem para a representação numérica
Somente depois da exploração, mostre que, ao dividir cada uma das duas partes de 1/2 em duas, o número de partes do todo passa de 2 para 4 e a quantidade escolhida passa de 1 para 2. Assim aparece 1/2 = 2/4. Em seguida, escreva que numerador e denominador foram multiplicados por 2, mas explique que essa operação registra uma transformação do modelo: o inteiro não mudou; apenas foi repartido em mais partes iguais.
Aula 2: reta numérica e problemas
1. Localize frações equivalentes
Desenhe uma reta de 0 a 1 em uma folha grande. Primeiro, marque 1/2. Depois, divida o mesmo intervalo em quatro partes e peça que a turma encontre 2/4. A pergunta não é “qual fórmula usar?”, mas “em que ponto da reta cada fração fica?”. Se os pontos coincidirem, os estudantes têm uma segunda evidência para a equivalência, diferente da sobreposição das tiras.
Repita com 1/3 e 2/6, ou com 3/4 e 6/8. Evite transformar a reta em uma sequência de marcações sem discussão. Peça que os alunos expliquem como conservaram o intervalo de 0 a 1, como contaram as partes e por que o ponto não mudou quando o denominador aumentou.
2. Apresente uma situação-problema
Proponha: “Duas crianças comeram a mesma quantidade de uma barra de cereal. Ana comeu 1/2 da barra e Bruno comeu 4/8. Como verificar se os dois comeram a mesma quantidade?”. A resposta deve incluir uma representação, uma igualdade e uma explicação. Um desenho pode ser aceito, mas peça que o aluno deixe claro que as duas barras desenhadas representam o mesmo inteiro.
Outra possibilidade é pedir que cada dupla crie um problema cuja resposta envolva uma equivalência. Depois da troca entre duplas, o autor deve conferir se o enunciado informa qual é o inteiro e se a comparação é possível. Essa revisão trabalha leitura matemática e ajuda a revelar enunciados ambíguos.
Como avaliar sem transformar o mapa em gabarito
Uma avaliação curta pode trazer três itens. No primeiro, o aluno deve decidir se 2/3 e 4/6 são equivalentes e justificar. No segundo, precisa desenhar ou localizar na reta um par equivalente a 3/4. No terceiro, deve explicar por que multiplicar apenas o numerador não preserva a quantidade. A terceira questão é importante porque evidencia se o estudante compreendeu a relação ou apenas memorizou uma regra parcial.
Use uma rubrica com quatro critérios: conservação do inteiro; representação em partes iguais; correspondência entre modelo e escrita numérica; e qualidade da justificativa. Em vez de classificar o desenho como bonito ou feio, descreva o que está consolidado, em desenvolvimento ou precisa de intervenção. A explicação oral pode complementar o registro escrito, especialmente para estudantes que ainda estão desenvolvendo a escrita matemática.
Para organizar a coleta de evidências, aproveite a lógica do artigo do PRAL sobre atividade diagnóstica curta e consulte também o conteúdo sobre rubricas de avaliação. A pergunta central é sempre: o que a resposta do aluno muda na próxima aula?
Erros comuns e intervenções
Um erro frequente é alterar o tamanho do inteiro ao desenhar as frações. Nesse caso, peça que o estudante recorte duas tiras com o mesmo comprimento e refaça a comparação. Outro é interpretar o denominador como “o número de partes pintadas”. Volte à pergunta: em quantas partes iguais o inteiro foi dividido?
Também aparece a regra “multiplicar em cima e embaixo”, aplicada sem compreender que o fator precisa ser o mesmo. Use um exemplo como 1/2 para 2/4 e pergunte o que aconteceria se apenas o numerador mudasse. A tira e a reta mostram que 2/2 seria o inteiro, enquanto 2/4 representa metade; portanto, 2/2 não corresponde à transformação proposta.
Para estudantes que precisam de mais apoio, reduza a quantidade de exemplos, ofereça tiras já marcadas e use frases iniciadoras: “As duas frações são equivalentes porque…”. Para quem avança rapidamente, peça que encontre mais de uma forma equivalente para 1/2 e explique como o padrão continua. O desafio deve ampliar a justificativa, não apenas aumentar os números.
Materiais e continuidade
Você precisa de papel sulfite ou cartolina, régua, lápis de cor, tesoura sem ponta, folhas com retas numéricas e uma tabela de registro. Se a turma usar uma ferramenta digital de frações, mantenha a mesma sequência: explorar, comparar, registrar e explicar. O recurso pode agilizar a visualização, mas não substitui a conversa sobre o inteiro, as partes iguais e a evidência usada.
Na aula seguinte, retome duas respostas anônimas: uma que apresente uma equivalência bem justificada e outra que contenha um erro recorrente. Peça que a turma compare os argumentos, corrija o segundo caso e produza uma explicação melhor. Dessa forma, a equivalência deixa de ser uma lista de frações parecidas e passa a funcionar como uma ideia que sustenta comparação, ordenação e resolução de problemas.
Fontes consultadas
- Ministério da Educação e Conselho Nacional de Educação — página oficial da BNCC, incluindo o texto aprovado e a Resolução CNE/CP nº 2/2017.
- Base Nacional Comum Curricular, PDF oficial, habilidade EF05MA04, consultado em setembro de 2026.
- Mathies Fraction Strips, Ontario Association for Mathematics Education, material de apoio sobre representação e equivalência de frações.
- Fraction Strips, Florida Center for Instructional Technology, University of South Florida, imagens educacionais consultadas em setembro de 2026.
- UNESCO — From evidence to the classroom, orientação para transformar evidências de aprendizagem em ações didáticas.

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